Em 16 de setembro, foi realizada na Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, uma audiência pública que debateu sobre a importância da greve geral dos servidores públicos de meio ambiente no estado de Minas Gerais, realizada em 2025. Com 94 dias de duração, foi a maior greve do meio ambiente e a segunda maior greve no estado de Minas Gerais.
Para a audiência pública, convocada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), foram chamados membros da diretoria executiva do Sindsema, sindicato que representa os servidores de meio ambiente, e representantes de vários níveis do governo de Minas Gerais. No entanto, nenhum representante do governo compareceu.
“Eu fiquei com a sensação de que o governo já acabou. Aí se de fato o governo acabou, anteciparam esse fim, que é 31 de dezembro para 15 de setembro, aí faz todo sentido eles não aparecerem mesmo.” – Beatriz Cerqueira.
Na abertura da audiência, o Sindsema recebeu um voto de congratulações pela mobilização e greve de 94 dias realizada no ano de 2025, cuja luta contribuiu para o fortalecimento da fiscalização e da proteção ambiental no Estado.
Erika Batista, Diretora de Mobilização do Sindsema, fez uma fala que destacou a resistência da categoria frente às adversidades e resgatou a importância da mobilização sindical.
Ainda que sem a participação de representantes do governo, o clima foi de reconhecimento pela mobilização mas, principalmente, de denúncia.
O Presidente do Sindsema, Wallace Alves, fez um resgate histórico do que foi o processo de greve. Entre eles, a deflagração da Operação Rejeito, que ocorreu 15 dias após o início da greve, a falta de diálogo por parte do governo e as ameaças que foram realizadas.
Cristiano Tanure, vice-presidente do Sindsema, denunciou a clara terceirização das atividades de competência dos servidores públicos. Tanure mostrou aos presentes o exemplo de vagas de emprego que foram anunciadas no Linkedin. Vagas essas que cumprem o mesmo objetivo dos cargos públicos. “E o que a gente vem trazer aqui hoje é bastante sério, né? E o que foi se descortinando nesse processo de greve foi um processo de terceirização ilegal, subtraindo atividades que, por lei, são privativas., afirma o vice-presidente.
A ausência dos efetivos nesses meses de setembro, outubro e novembro e dezembro, ela causou algum prejuízo às atividades do SISEMA? O que aconteceu com os nossos processos de licenciamento, de fiscalização, de outorga, de intervenção ambiental? o que aconteceu com esses processos dentro do SISEMA?, perguntou Tanure.
A denúncia apresentada por Wallace e Tanure ganhou um novo capítulo no dia 17 de setembro. Representantes da diretoria do Sindsema, junto ao escritório de advocacia Sarah Campos, estiveram no ministério público de Minas Gerais para apresentar uma denúncia com mais de 2 mil páginas sobre a contratação ilegal, por parte do Governo de Minas e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, para a realização ilegal de atividades de cunho finalístico.