Sindsema e 23 entidades realizam segunda rodada de conversa com candidatos ao Governo de Minas

Sindsema e 23 entidades realizam segunda rodada de conversa com candidatos ao Governo de Minas

Representantes do funcionalismo público mineiro conversaram com Rafael Duda (PSTU) e Patrus Ananias (PT).

Na segunda-feira, 10 de agosto, ocorreu o segundo ciclo de conversas com os candidatos ao Governo de Minas Gerais, promovido pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente no Estado de Minas Gerais (SINDSEMA) junto a outras 23 entidades sindicais. O encontro ocorreu no auditório da Associação dos Funcionários Fiscais de Minas Gerais (Affemg), em Belo Horizonte, e contou com transmissão ao vivo no canal do YouTube da Affemg. Na segunda edição, participaram os candidatos Rafael Duda (PSTU) e Patrus Ananias (PT).

Com mediação realizada por Maria Aparecida Neto Lacerda e Meloni, presidenta da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaudais (Febrafite), o encontro foi estruturado em um primeiro bloco destinado à apresentação das candidaturas e aos comentários sobre os pontos apresentados na Carta Compromisso. Em seguida, blocos de perguntas dos representantes sindicais, com 5 minutos reservados para as respostas do candidato.


Rafael Duda (41), é operário da Mineração e diretor do sindicato Metabase Inconfidentes. Concorreu à Prefeitura de Congonhas em 2020 e ao cargo de deputado federal em 2022. Em 2024, foi candidato novamente à prefeitura de Congonhas. 

Rafael Duda, candidato ao Governo de Minas pelo PSTU. | Foto: Comunicação da Affemg

Duda, que representa a candidatura mais à esquerda ao Governo de Minas Gerais, iniciou sua fala trazendo uma análise do que ele denomina como “a realidade do estado de Minas Gerais” e seus impactos no serviço público. 

“Tem um processo de desindustrialização muito importante. Desde a década de 1990, ele se aprofunda nesse aspecto. A gente passa a ser só produtor de commodities. Isso é óbvio que tem consequências políticas, sociais e econômicas. E nesse terreno que a gente queria localizar, porque na nossa opinião, para realizar todas as reivindicações que vocês estão trazendo, nós temos que romper com isso. Se a gente não romper, isso vai se aprofundar, e vai se aprofundar inclusive no serviço público”.

O candidato explica que o seu programa de governo está hierarquizado por esse eixo temática, e as discussões sobre o serviço público passam por ele. E diz que, tanto governos de ultra direita, como foi o governo de Romeu Zema, quanto os governos de frente ampla, como do Governo Lula e Pimentel, mantiveram essa dinâmica de desindustrialização. Para Rafael Duda, é preciso romper com essa dinâmica ou, caso contrário, o estado de Minas Gerais viverá um processo ainda maior de decadência econômica e social. 

Rafael Duda, candidato ao Governo de Minas pelo PSTU e a Maria Aparecida Neto |
Foto: Comunicação Sindsema

Ainda sobre os impactos da desindustrialização para o serviço público, o candidato apresentou informações sobre o Plano Estadual de Mineração e fez uma correlação sobre os interesses do atual governo. Em sua fala, Duda destaca que há um plano para exploração das riquezas de Minas Gerais, mas que o lucro vai ser destinado à empresas privadas estrangeiras e, enquanto isso, não há um plano de ação para melhorar o serviço público pois essa não é a vontade política do atual governo.

Os representantes das 24 entidades sindicais que organizaram o evento trouxeram em seus questionamentos dúvidas sobre como o candidato do PSTU pretende tratar a questão da defasagem salarial, do desmonte do IPSEMG, da falta de concursos públicos e como articular todas essas questões ao orçamento do estado.

Wallace Alves, presidente do Sindsema, pediu que o candidato esclarecesse alguns pontos pois, por ter um discurso radical, muitos dos espectadores poderiam não entender a viabilidade das propostas apresentadas pelo candidato. “Como você traz uma resposta que é radical, no sentido bom da palavra, que vai à raiz do problema para trazer a solução, que nesse caso seja sobre a desapropriação, seja expropriação, mas que é na verdade a reestatização de alguns setores que são estratégicos para a economia mineira. Então, eu gostaria que deixasse mais claro […] como a gente não tem candidaturas que realmente vão até o nosso ordenamento jurídico e lança a mão dessas soluções que estão no ordenamento, fica parecendo que você é um incendiário que está propondo coisa que está completamente fora do ordenamento”.

Em resposta ao questionamento do Sindsema, Duda disse que discutir a realidade do jeito que ela é e colocar a proposta como ela deveria ser cria essa caricatura que tem, principalmente, o efeito de criminalizar. “Fizeram isso com vocês [Sindsema], fizeram isso com Sindute em todas as lutas, fizeram isso com a Aduemg, fizeram isso com todas entidades sindicais aqui que fizeram luta nesse último período”, relembrou o candidato.

Quando a gente fala reestatizar, é tomar mesmo de volta, porque foi ilegal a venda, por exemplo, da Vale. A Vale foi vendida por 4 bilhões aproximadamente […] No semestre seguinte já tinha o lucro desses 4 bilhões. É porque não dava antes? A privatização da Petrobras também foi o mesmo discurso. Esse é o processo de privatização […] O problema é: não tem nenhum governo, eu estou falando aqui de todos eles que passaram, que se enfrentaram concretamente sobre esse tema. Não enfrentaram justificando que não era possível, outros falando que estava errado, que tem que privatizar. A pergunta é: nós nunca vamos enfrentar isso? Esse é o debate.” Disse Rafael Duda.

Entidades sindicais de MG realizam em conjunto um ciclo de conversas com os candidatos ao governo de Minas. Foto: Comunicação da Affemg e Comunicação Sindsema.

Patrus Ananias (74), é advogado, servidor público e professor. Começou sua carreira política como vereador em Belo Horizonte, depois sendo eleito prefeito da capital mineira. Entre 2004 a 2010 foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, no governo Lula, e ministro do Desenvolvimento Agrário de Dilma Rousseff entre 2015 a 2016. Atualmente está em seu quarto mandato como deputado federal.

Patrus Ananias, candidato ao Governo de Minas pelo PT. | Foto: Comunicação da Affemg

Patrus Ananias (PT), disse em sua apresentação inicial que, caso venha a ganhar a eleição, sua primeira ação será abrir a dívida do estado para o povo mineiro. Ao longo de sua fala de abertura, o candidato rememorou suas experiências em gestões passadas, abordou temas centrais de sua pré-campanha e afirmou que, caso eleito, a sua prioridade não será pagar a dívida do governo, mas sim aplicar os recursos públicos nas políticas públicas. Mais tarde, o candidato enfatizou sobre a necessidade de um bom legislativo para que o governo seja eficaz, competente e ético.

Ao longo da conversa, os representantes sindicais questionaram ao candidato sobre suas propostas para os serviços públicos, incluindo reajuste salarial; a necessidade de salário base; valorização das carreiras; responsabilidade fiscal orçamentária, fortalecimento do IPSEMG e os impactos da privatização de setores estratégicos.

Em sua resposta aos questionamentos dos representantes, Ananias fez uma fala que passava brevemente pelos mais variados assuntos abordados, assumindo uma postura de concordar com as questões apresentadas, frisando que o serviço público será uma prioridade em seu governo e que há pontos que precisam ser analisados, como a questão previdenciária.

“A questão do Ipsemg eu posso claramente assumir um compromisso. Eu sou um defensor, em todos os níveis, da questão previdenciária, para que as pessoas tenham a sua devida assistência. Agora, nós vamos ter que sentar, conversar com lealdade e transparência porque o sistema previdenciário como um todo, no Brasil, nos estados e municípios, é uma grande crise. Nós temos que discutir de forma democrática como preservar, aperfeiçoar e ampliar a previdência social”.

Ananias também demarcou seu posicionamento sobre falas que defendem a estatização geral. “Eu vou ser sincero com vocês. Eu não defendo um estado estatizante, não. Eu acho que o estado tem que estar presente em alguns setores, na saúde, na educação, na segurança pública, CEMIG, Copasa, e algumas conquistas definitivas do estado. Acho uma pena que fizeram o estado não ter hoje um banco bem gerido para ter recurso para ajudar no estado. Mas o setor privado, eu não vejo, o estado industrializando. A Estatização não foi uma experiência bem sucedida nos países socialistas, essa estatização total. Eu acho que o estado tem que estar presente, ele tem que ser parceiro nesse processo”, explicou o candidato do PT.

Patrus Ananias, candidato ao Governo de Minas pelo PT. | Foto: Comunicação da Affemg

Wallace Alves, presidente do Sindsema, trouxe à tona um ponto que ainda é uma ferida para os servidores públicos: a política adotada pelo ex governador Fernando Pimentel (PT) que colocou o funcionalismo público em crise.

“[…] não é porque isso não apareceu aqui no debate, que as nossas bases não pensam nisso. Então eu gostaria que o senhor falasse sobre duas situações. A primeira é que faz 8 anos que a gente ouve Zema e Mateus Simões reverberar uma mentira, uma cantilena de que o PT quebrou Minas Gerais. Não tem nada que o Pimentel possa ter feito entre janeiro e setembro de 2015 que tenha quebrado Minas Gerais em tempo recorde. Então isso é uma mentira e a gente precisa reivindicar isso, precisa trazer isso pro microfone. A gente tem o que criticar das experiências passadas, mas esse não é um ponto. E o outro ponto, que aí sim é um erro, e que eu gostaria que o senhor dissesse como seria a sua postura, foi o parcelamento de salário. O parcelamento de salário ao longo de todo o governo Pimentel gerou traumas graves na nossa categoria. Eu vou chegar com o debate sobre as candidaturas no campo popular e o que eu mais escuto é essa questão. Então, nós temos que trazer isso para o debate. […] Se porventura isso viesse acontecer novamente, já que vão pegar o estado mais quebrado do que era em 2016, seu desafio vai ser muito maior que o do Pimentel. Se isso acontecer a gente volta a parcelar salário ou a gente vai relativizar outros compromissos senão esse que é de verba alimentar de trabalhador e de trabalhadora que move Minas Gerais?, questionou Wallace Alves.

Em resposta ao questionamento apresentado por Wallace, o candidato Patrus Ananias adotou uma resposta onde frisou sobre a importância do meio ambiente, sem nunca responder o questionamento realizado.

“O meio ambiente está muito e cada vez mais presente no meu coração, na minha cabeça, nas minhas reflexões, nas minhas leituras também, estudos e nos compromissos que nós vamos assumir para bem governar Minas Gerais. Eu fiz referência aqui e para isso precisamos de servidoras, servidores qualificados, preparados, dignamente remunerados, motivados para nós iniciarmos um grande trabalho que é de fiscalização, mas também de educação. Explicar para as pessoas, mostrar a importância do ar que nós respiramos, da terra que nós pisamos, a nossa necessidade da biodiversidade, dos ecossistemas, da água […] Vamos caminhar juntos aí e vamos ter boa interlocução”, disse Patrus Ananias.

 24 entidades sindicais realizam em conjunto um ciclo de conversas com os candidatos ao governo de Minas.  Foto: Comunicação da Affemg e Comunicação Sindsema.

Acompanhe aqui a cobertura completa da conversa com os candidatos Túlio Lopes (PCB) e Gabriel Azevedo (MDB).

Deixe um comentário

Enviar um comentário