Sindsema e 23 entidades iniciam ciclo de conversas com candidatos ao Governo de Minas

Sindsema e 23 entidades iniciam ciclo de conversas com candidatos ao Governo de Minas

Primeiro ciclo de conversas ocorreu em 28 de julho, em Belo Horizonte, com transmissão pelo Youtube

O Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente no Estado de Minas Gerais (SINDSEMA) junto a outras 23 entidades sindicais – entre sindicatos e associações – realizou a primeira rodada de conversas com os candidatos ao governo de Minas Gerais. O primeiro encontro ocorreu no dia 28 de julho, no auditório da Associação dos Funcionários Fiscais de Minas Gerais (Affemg), em Belo Horizonte, e contou com transmissão ao vivo no canal do YouTube da Affemg.  Na primeira edição, participaram os candidatos Túlio Lopes (PCB) e Gabriel Azevedo (MDB).

Com mediação pelo jornalista Orion Teixeira, o encontro foi estruturado em um primeiro bloco de 20 minutos destinado à apresentação das candidaturas e aos comentários sobre os pontos apresentados na Carta Compromisso. Em seguida, blocos de perguntas dos representantes sindicais, com 5 minutos reservados para as respostas do candidato.


Túlio Lopes (44) é professor, graduado em História e doutor em Educação. Foi candidato ao Governo de Minas Gerais em 2014 e ao Senado Federal em 2018 e presidente da Associação dos e das Docentes da UEMG (ADUEMG). Acompanhado por Warlen Nunes, candidato a vice-governador na chapa pura do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Lopes abriu sua fala fazendo um retrospecto da luta do serviço público mineiro no último período, com destaque para o importante papel que o sindicalismo mineiro teve para barrar mais retrocessos do governo Zema, como na tentativa de venda de 350 imóveis do estado, entre eles os imóveis da UEMG.

Da esquerda para direita: Warlen Nunes, Túlio Lopes e Orion Teixeira. | Foto: Comunicação da Affemg
Da esquerda para direita: Warlen Nunes, Túlio Lopes e Orion Teixeira| Foto: Comunicação da Affemg

“Fora Zema” foi uma palavra de ordem muito apresentada pelo conjunto de servidores, e acho que esse é o elemento que devemos dar sequência na luta. Mas, além de dizer ‘Fora Zema’, é importante construir alternativas. É por isso que nós apresentamos uma candidatura vinculada à luta dos servidores. Tenho muito orgulho de ser o único candidato servidor público do estado de Minas Gerais. Eu vou defender o serviço público. Vou defender mesmo!” – Túlio Lopes.

Na oportunidade, os representantes sindicais destacaram em seus questionamentos a falta de reajuste salarial que afeta todas as categorias do funcionalismo público; a necessidade de salário base; valorização das carreiras;  responsabilidade fiscal orçamentária e fortalecimento do IPSEMG.

Wallace Alves faz seu questionamento ao candidato Túlio Lopes. | Foto: Comunicação da Affemg

Wallace Alves, presidente do Sindsema, questionou o candidato sobre o compromisso da candidatura para barrar a farra das isenções fiscais. “Qual vai ser o tratamento ao que eu chamo de Bolsa Empresário? O Bolsa Empresário aqui em Minas Gerais funciona assim: em 2019, eram 5 bilhões de benefícios de isenções fiscais dados, hoje isso avançou para 25 bilhões e nós estamos nos últimos 10 anos vivendo sob o limite de recuperação fiscal.[..] Quero saber se você faz esse compromisso?”.

Warlen Nunes, vice-candidato ao governo de Minas, respondeu ao questionamento do Sindsema e de outras entidades que frisaram sobre a importância da responsabilidade fiscal. “A gente vai ter que fazer um movimento nacional para questionar a lei de responsabilidade fiscal porque ela cria uma amarra, e ela é sempre pensada do lado da despesa e nunca do lado da arrecadação. E aí fica um discurso cínico de ‘o estado não tem dinheiro, o estado precisa fazer cortes’, mas ao mesmo tempo, o estado abre mão de 25 bilhões em isenções. [..] A nossa candidatura parte do pressuposto que direitos sociais são fundamentais e tem que ser preservados. O serviço público bem feito, de qualidade, com profissional valorizado, é essencial. Para nós, é prioridade. Os servidores não são um ativo financeiro, as empresas públicas não são um ativo financeiro”, afirmou Nunes.

Os candidatos destacaram ainda a importância de discutir e rediscutir a pauta da economia em MG. “É fundamental construir um novo modelo de mineração, rediscutir as questões relacionadas à dívida pública, tendo como prioridade as questões sociais”.


Gabriel Azevedo (39) é advogado, jornalista, publicitário e professor universitário de Direito. Foi vereador de Belo Horizonte por dois mandatos (2017–2024) e presidiu a Câmara Municipal entre 2023 e 2024. Atual candidato ao governo de Minas pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Azevedo iniciou seu momento de apresentação falando sobre as contas públicas.

Gabriel Azevedo, candidato ao governo de Minas. | Foto: Comunicação da Affemg

“Eu começo dizendo que o próximo governador precisa entender muito bem de um assunto urgente, que é lidar com a questão das contas públicas. Em números gerais, em dezembro do ano passado o governo estadual reconheceu uma dívida de cerca de 180 bilhões de reais. Eu respeito todas as associações que discutem o tema e estou disposto sempre a ouvir todo mundo, mas o fato concreto é o reconhecimento de um governo estadual de uma dívida de 180 bilhões com a União”. – Gabriel Azevedo.

Na sequência, Azevedo se direcionou aos representantes sindicais esclarecendo que, a partir da Carta de Compromisso, há pontos de pauta em que se compromete em sua totalidade, como o ponto que propõe uma mesa permanente de negociação; temas que ele se posiciona contrário, como interromper a federalização dos ativos por conta da adesão ao Propag. E, ainda, pontos como o das perdas inflacionárias acumuladas, que ele se compromete a estudar a viabilidade pois, em sua avaliação, só é possível realizar esse compromisso após ter um estudo orçamentário.

Os representantes sindicais destacaram a importância da sinceridade do candidato frente aos compromissos que está assumindo com o funcionalismo público e, assim como para o primeiro candidato, fizeram questionamentos diretos, entre eles sobre reajuste salarial, limite orçamentário, IPSEMG, plano de carreiras e cumprimento de acordos de greve.

Gabriel Azevedo e o  jornalista Orion Teixeira | Foto: Comunicação da Affemg

Wallace Alves ressaltou o teor tecnocrático das falas do candidato. “Quando você traz ‘não me comprometo a reverter a privatização da Copasa, mas vamos investir em regulação’, como que a gente traz isso para uma Arsae forte  sendo que hoje tem 33 servidores e um dos piores salários do país – em termos de  agência reguladora- e um  salário base de 4 mil reais que não consegue competir com ninguém?”.

Segundo o dirigente sindical, o que se busca é um compromisso político do candidato com os servidores, de garantir vontade política para priorização do cumprimento da obrigação constitucional em se conceder reajuste pelas perdas inflacionárias, o que está demonstrando ser possível a partir da revisão da política de renúncias fiscais sem critério socioeconômico e ambiental.

Em resposta ao questionamento do Sindsema, Azevedo disse que, para ele, uma das piores fragilidades do atual governo é o fim da confiança. “E eu não posso repetir isso. Eu não posso gerar nenhuma expectativa que vai ser quebrada depois. Eu estou apontando direções, vontades, compromissos, mas jamais expectativas. Eu prefiro não criá-las e ter depois um sorriso, ainda que mínimo, no rosto do que o olhar de decepção. […] E o orçamento ainda é incerto. Eu mandei 4 pedidos de esclarecimentos orçamentários em relação à LOA [Lei Orçamentária Anual] por conta dos riscos que estão colocados lá”, afirmou Azevedo. 

Sobre caminhos para fazer receita em um possível governo, Gabriel fala sobre a necessidade de uma linha direta com o governo federal. “Eu acredito em uma parceria profunda com o governo federal. É uma questão de mudança de postura. Não dá para  Minas Gerais ser usado como trincheira contra Brasilia”.


Os sindicatos do serviço público estadual de Minas Gerais se unificaram para elaborar uma Carta-compromisso, que será entregue e debatida com todos os candidatos ao Governo de Minas Gerais. As 24 entidades estão em contato com todas as candidaturas para a realização de um novo ciclo de conversas. Acompanhe nossas redes sociais para saber em primeira mão.

Sindsema e mais 23 entidades sindicais realizam em conjunto o primeiro ciclo de conversas com os candidatos ao governo de Minas.  Foto: Comunicação da Affemg

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