Aquecimento global vai estimular crescimento de insetos e pragas, diz estudo

Uma consequência pouco estudada das mudanças climáticas é que o aumento das temperaturas estimula o crescimento dos insetos e, portanto, das pragas que devoram cultivos como o milho, arroz e trigo.
Insetos em plantações de caju, em Serra do Mel, no RN. (Foto: Thiago Messias/ Inter TV Costa Branca/Reprodução

 

Pesquisadores da Universidade do Estado de Washington concluem, em um estudo publicado nesta quinta-feira (30) na revista Science, que a produção agrícola mundial verá seu rendimento reduzido por causa de uma característica fisiológica universal dos insetos, a de que quanto mais calor faz, mais comem.

Além disso, nas regiões temperadas, o aumento das temperaturas também fará com que os insetos se reproduzam mais rápido, com a soma de ambos os efeitos.

“Haverá mais insetos e eles comerão mais”, diz em resumo à AFP Curtis Deutsch, um dos autores do estudo, professor de oceanografia na Universidade de Washington.

Europa, Estados Unidos e China, grandes produtores de cereais, serão mais afetados que os países em regiões tropicais como Brasil ou Vietnã, onde os insetos já estão aproveitando ao máximo as condições climáticas, disse.

Simulação de perdas

Avaliar as perdas agrícolas adicionais é um exercício difícil, mas o pesquisadores o fizeram simulando o impacto de um aumento de 2°C no metabolismo dos insetos e calculando o novo apetite. Isso não leva em conta o uso adicional de pesticidas ou outras mudanças para prevenir esses estragos.

Uma espécie invasora se beneficiaria particularmente: o pulgão russo do trigo. Esse inseto verde, de entre 1mm e 2mm, colonizou os Estados Unidos na década de 1980 e atacou o trigo e a cevada.

Apenas exemplares fêmeas do inseto foram encontrados. “Estes insetos nascem já gestando suas filhas, cada uma estando já grávida de suas netas”, disse à AFP Scott Merrill, especialista em insetos na Universidade de Vermont.

O poder das fêmeas

Cada fêmea pode dar à luz oito filhotes por dia, que se multiplicam por oito pelo número de netas.”Imaginem o quão rápido a população desses pulgões pode explodir”, diz.

“Um ou dois pulgões podem dar à luz bilhões de insetos, se as condições são ideais”, acrescenta.

Até agora, o efeito do aquecimento global no desenvolvimento das plantas era o principal foco de pesquisas. Deutsch espera que este trabalho estimule mais cientistas a estudarem o efeito sobre os insetos em regiões particulares.

FONTE: G1

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