Parque Municipal de Belo Horizonte completa 121 anos nesta quarta

Parque Municipal de Belo Horizonte completa 121 anos nesta quarta

Mais antiga que a própria capital, unidade de conservação no coração da cidade completa 121 primaveras hoje, consolidando-se como um oásis verde que ameniza o calor no Hipercentro

Espaço oferece rara oportunidade de desacelerar e se entregar ao descanso em pleno Centro da metrópole

 

Três mineiras, duas moradoras de Belo Horizonte e a outra de Campo Grande (MS), escolheram um lugar muito especial para celebrar meio século de amizade: o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro da capital mineira, que, por sua vez, comemora hoje 121 anos de fundação – a unidade é três meses mais velha que a própria cidade. Na tarde de ontem, com a idade da alegria e muitas fotos para guardar no arquivo do celular, as aposentadas Imaculada Fernandes, geógrafa, e Maria José Almeida Gontijo, professora, ambas moradoras da região da Pampulha, levaram Isabel de Meneses para matar a saudade. “O parque lembra a infância da gente”, disse a “belo-horizontina visitante”, mostrando, na tela, a foto em preto e branco de um passeio quando ela era bem pequena.

“Não sou selfeira, não”, brincou Maria José, no exato momento em que Imaculada e Isabel a convidavam para fazer uma selfie com o Lago dos Marrecos ao fundo. Mas, como a ocasião pedia, o trio se abraçou e depois ainda fez uma pose especial para a reportagem. “Aqui é um lugar com uma grande diversidade”, acrescentou Imaculada, enquanto Maria José se recordava dos passeios com a família em meio à natureza. “Acho que o Parque Municipal é o resumo de BH”, afirmou a geógrafa, com a concordância expressa no semblante afirmativo das amigas. A tarde terminou com um cineminha na Sala Humberto Mauro, no vizinho Palácio das Artes.

Perto dali, a nova geração também fazia do parque um lugar de contemplação e para o bate-papo. Perto do mesmo lago, três estudantes de direito, moradores do Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul, falavam dos prós e contras – na verdade, mas prós do que contras – do espaço. “Acho bonito, mas a gente vê muito lixo espalhado por aí”, afirmou Antonio Pereira, de 20. Letícia Almeida, de 18, fez das palavras do amigo as suas, e Germano Barreto, de 20, teve uma ideia que será levadas aos professores da Escola de Direito, que fica na Praça Afonso Arinos, do outro lado da Avenida Afonso Pena: “Acho que os professores poderiam dar aulas nestes gramados, como ocorria na Grécia Antiga.”

Para festejar o 121º aniversário da primeira área verde da cidade, a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), gestora do espaço, e seus parceiros, elaboraram uma programação gratuita para os visitantes, que vai até o dia 30 de setembro. A gerente de Parques Centro-Sul, da Prefeitura de BH, Tatiani Cordeiro Anunciação de Souza, informa que a prefeitura vai reformar a área das crianças, onde fica o brinquedo Castelão. “O Parque Municipal é um importante patrimônio ambiental, histórico e cultural da cidade de BH; um espaço de uso mais eclético e democrático da cidade, com diversos tipos de atrações: contemplação da natureza, atividades artísticas, esportivas e de lazer”, afirma.

ORQUÍDEAS Recém-inaugurado, o orquidário apresenta, até domingo, uma exposição das flores que encantam pelas formas e beleza. O vice-presidente da Sociedade Orquidófila de Belo Horizonte (SOBH), Euro Magalhães, também tem muitos elogios a fazer. “Este lugar é um oásis de paz na paisagem urbana. Na verdade, é muito mais do que uma área verde. Aqui, as pessoas podem ter alguns momentos de tranquilidade no meio da correira do dia a dia”, afirmou Magalhães.

De acordo com pequisas da Fundação de Parques, o Américo Renné Giannetti foi criado para ser o maior e mais bonito parque urbano da América Latina, inspirado em espaços públicos franceses no período da belle époque. Foi projetado no final do século 19 e seus 182 mil metros quadrados de área abrigam uma rica biodiversidade, com diferentes espécies de plantas, nascentes, fauna silvestre e vasta vegetação, que contribui para amenizar o clima da região central e faz do espaço o “pulmão da cidade”. Além disso, “o parque exerceu e ainda exerce significativa influência cultural e ambiental sobre a cidade e a população belo-horizontina, por meio de parcerias com produtores culturais e da realização de atividades de educação ambiental e lazer gratuitos.”

 

Um pulmão para a capital

 

Foto do fim da década de 1950 mostra aspecto da unidade intimamente ligada à história de BH(foto: Eugênio Silva/O Cruzeiro/Arquivo Estado de Minas – 26/8/1958)

Basta entrar no Parque Municipal Américo Renné Giannetti para sentir que o clima muda: pode estar o maior calorão na Avenida Afonso Pena que a temperatura vai baixando aos poucos, enquanto se caminha. Ao longo dos anos, o Estado de Minas tem documentado as várias fases da unidade de conservação, que reúne um gramado verde para quem quer descanso ou a sombra de uma árvore para algum tempo de reflexão. Antes de tudo, vale conhecer um pouco da história. Antes de sua implantação, o espaço abrigava a Chácara Guilherme Vaz de Mello, conhecida como Chácara do Sapo. A propriedade serviu de moradia para o próprio Paul Villon e para Aarão Reis, engenheiro chefe da Comissão Construtora, encarregada de planejar e construir a nova capital de Minas.

Projetado pelo arquiteto e paisagista francês Paul Villon, é o patrimônio ambiental mais antigo de Belo Horizonte. Abriga árvores centenárias, espécies nativas e exóticas, compondo uma flora diversificada, fornecedora de néctar e frutos para borboletas, mariposas, aves e outros animais, podendo ser considerado um importante refúgio para a fauna.

Para os visitantes, o parque oferece orquidário, viveiro de mudas, bosques, trilhas ecológicas e lagoas com barquinhos a remos e pedalinho. Também estão entre os atrativos monumentos, teatro de arena, Teatro Francisco Nunes, monumentos históricos (busto de Anita Garibaldi, bustos de Aarão Reis, Afonso Pena, Augusto de Lima e Bias Fortes), equipamentos esportivos como quadra de tênis, pistas de patinação, ciclovia para crianças, pista de cooper e caminhada, brinquedos, além de animais de montaria e diversos eventos gratuitos ao ar livre.

O que pouca gente talvez saiba é que, originalmente, o parque tinha uma área de 600 mil metros quadrados. Ao longo dos anos, contribuindo para a urbanização da cidade, o parque perdeu espaços para diversas construções como a Faculdade de Medicina da UFMG, o Centro de Saúde do Estado, Moradia Estudantil Borges da Costa, Teatro Francisco Nunes, Colégio Imaco, Palácio das Artes, entre outros. No entanto, ainda hoje é considerado um importante refúgio da fauna e flora em meio à cidade, ajudando no equilíbrio da atmosfera.

Hoje, como um espaço tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), apresenta área verde com lagoas e vários locais para atividades de lazer, descanso, esporte e cultura. Por mês, passam cerca de 500 mil pessoas.

 

FONTA: Estado de Minas

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